Quando até o autocuidado se transforma em consumo!

Existe aqui uma ironia que também merece ser observada.

Até o mundo do bem-estar pode entrar nesta engrenagem.

De repente, para termos paz interior, parece que precisamos da roupa certa, do suplemento certo, da vela certa, da aplicação certa, do retiro certo, da rotina matinal perfeita e provavelmente de uma garrafa de água com um design extraordinariamente sofisticado.

Até descansar pode começar a dar trabalho.

E até o autocuidado corre o risco de se transformar em mais uma lista de coisas que temos de comprar ou cumprir para finalmente nos sentirmos suficientes.

Mas talvez cuidar de nós não tenha de começar por acrescentar.

Talvez, algumas vezes, comece por retirar.

Menos estímulo.

Menos comparação.

Menos obrigação.

Menos ruído.

Uma caminhada pode ser autocuidado.

Uma conversa verdadeira pode ser autocuidado.

Dormir pode ser autocuidado.

Dizer “hoje não” pode ser autocuidado.

Deixar o telemóvel noutra divisão durante meia hora também pode ser.

E sim, práticas como meditação, yoga, Reiki, terapia do som ou outras abordagens complementares podem fazer parte do caminho de algumas pessoas.

Mas não porque nos devam transformar numa versão perfeita de nós.

Talvez precisamente pelo contrário.

Porque podem criar um espaço onde deixamos, por momentos, de tentar ser outra coisa.

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